sábado, 30 de julho de 2011

Podia escrever-te uma carta

Podia escrever-te uma carta. Sei que é o que queres, mas não tenho nada para te dizer. Gostaram - se - me as palavras. Acontece, sabias? O ponto em que já foi tudo dito, e tudo o mais são redundâncias. Prefiro ficar mimando a minha imaginação, como se fosse uma boneca velha. Aquela boneca favorita que nos acompanha o resto da vida, simplesmente porque, o tanto afecto que lhe temos não nos permite dispensá-la. Não me parece sequer que seja esse o teu estatuto, prefiro a boneca velha, a minha imaginação.
Gastaste - me as palavras em fundamentos sem fundações, em discussões sem argumentos, em cansaços de explicações de coisas que não eram para ser percebidas. Porque nem tudo se percebe, nem tudo serve para ser falado, nem tudo pode ser calado.
Gastas-te-me as palavras e mesmo que te quisesse escrever uma carta, não saberia sobre que assunto te falar. Não sobrou o que dizer, gastámos em nós tudo o que havia para ser consumido.
O meu pensamento já não deseja , já não procura. O beijo perdeu o sabor, o teu corpo adormeceu longe do meu e não o sinto no meu leito de aconchego. A chama extinguiu-se de tanto soprar ventos na vela. Prefiro a boneca velha da minha imaginação...
Podia escrever-te uma carta, mas só restou o silêncio para nos preencher e um fogo por reacender...

2 comentários:

  1. esta asturiana se queda en tu bella morada donde habita la sensibilidad y belleza de tu alma de poeta, besinos

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os teus pozinhos de perlimpimpim