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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Alma cigana



Alma cigana, para quê caminhar quando se pode voar?
Deixa-me ler na palma da tua mão os traços que te levam nas asas do vento. Deixa-me ler-te, a sina, o destino, aquilo que a boca não diz, mas que os olhos já viram.
Alma cigana, coração errante, sem poiso certo, de lar distante, qualquer lugar para ti é casa.
Alma cigana, dentro as tradições, não te agarras jamais a passados, soltas as emoções...
Publicada por feiticeira à(s) 23:00 1 comentário:
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Etiquetas: Shakira
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Nada daquilo que dissermos nos define realmente. Somos momentos de adaptação a tudo o que nos acontece. Talvez camaleão seja o animal que me define. Vou vestindo as cores dos locais por onde vou passando. Sou um misto de tudo e não chego a ser coisa nenhuma. Provavelmente serei sempre uma eterna insatisfeita...
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Nasce-me cá dentro num eterno resmalhar...

Um minúsculo ser que pretende crescer.

Manifesta-se em barulho e movimento

no seio de mim.

Nasce-me, como se parte de mim fosse

mas em mim não se quisesse conter.

Consome-se em pressão e explode em palavras,

como raios de luz que iluminam festas

de que não se sabe o tema.

È a letra, muitas das vezes demasiado à letra,

que sem o uso de caneta...

Pretende ficar inscrita

em qualquer lugar longe de mim.

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Um amor a toda a prova

" Mais do que o seu valor biológico, os pássaros inspiram histórias exemplares pela diversidade do seu comportamento natural. Existem espécies cuja conduta pode ser lida, aos nossos olhos, como muito inspiradora. O caso do Tucano é uma bela história de amor e dedicação que faz inveja aos mais fiéis amantes da casta humana. A fêmea esconde-se num recanto e nele faz, com a ajuda do macho, um ninho completamente fechado, construindo uma parede de lama sobre um vão de um tronco de árvore. Literalmente, a fêmea se empareda. Apenas um pequeno buraco a ligará, durante semanas, ao resto do mundo. Por esse orificio o seu companheiro lhe fará chegar alimento e consolo. Ali, naquele canto escuro; a fêmea se despojará de toda a plumagem e com as penas arrancadas ao corpo fará um ninho onde chocará os ovos e assistirá ao nascer dos seus bebés. Se o macho morrer, nesse intervalo, ela morrerá também. Sem penas, e por isso desprovida de voo, a tucana estará condenada. Numa anónoma cavidade de árvore se sepultará o seu estoico sacrifício "

Mia Couto in Pensageiro Frequente
"Os rios, dizia o poeta, são como os bichos: nascem e já estão a caminhar.
Empreendo aqui a imaginária viagem do nosso rio maior, da nascente à foz. Sigo de rio, sou Zambeze. Por quase três mil quilómetros vou zambezeando ( como dizem os versos de Gulamo Khan) até desaguar no mar. Olhando o rio me vejo, eu mesmo fluindo, em travessia do tempo. Essa viagem é sempre sem retorno? A poesia me dá um barco, mais um remo que é o sonho. E eu aprendo a navegar ao invés da corrente. Como se dentro do rio um outro rio fluísse em contratempo..."

Zambezeando, Mia Couto in Pensageiro Frequente
..."Voltei a fechar os olhos e mergulhei fundo na minha consciência - tracei uma pequena e ponderada linha nessa escuridão. Mas continuava sem ouvir nada, Nem sequer um eco.
Quis ver as horas, mas não tinha relógio posto. Com um suspiro, enfiei as mãos nos bolsos. Estava-me nas tintas para o tempo. Olhei para o céu. A lua era uma esfera de pedra fria, cuja face tinha sido carcomida à implacável passagem do tempo. As sombras que se viam à sua superficie eram como cegas células cancerígenas querendo esticar os seus tenebrosos tentáculos. A luz da lua brinca com a mente das pessoas, despoja-as da razão. Faz com que os gatos se evaporem. E fez desaparecer Izumi. Talvez tenha sido tudo cuidadosamente coreografado, começar por aquela noite, há muito, muito tempo.
(...)
Deveria continuar a escalada, ou regressar pelo caminho por onde chegara até ali? Por onde andaria Izumi? Sem ela, como é que podia continuar a viver, sozinho, naquela ilha abandonada pelos Deuses? era ela a única coisa que mantinha unido o meu frágil e provisório eu.
Continuei sempre a subir. Uma vez que tinha subido até ali, bem que podia continuar até ao cimo. Terá sido mesmo música, o que me chegara aos ouvidos? "

Os gatos comedores de Homens - A rapariga que inventou um sonho - Haruki Murakami
...
A maior parte do tempo, porém, o que nós partilhávamos era o silêncio. E isso eu aprendi contigo, porque não sabia. Para mim, o silêncio era sinal de distância, de mal-estar, de desentendimento. Ao principio, quando ficávamos calados muito tempo, eu sentia-me inquieta,desconfortável, e começava a falar só para afastar esse anjo mau que estava a passar entre nós.
...

No teu deserto - Miguel Sousa Tavares

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