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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Curar-te



Há feridas que não têm cura. Acompanham-nos desde a mais tenra idade e prosseguem, tal como nós, pelos anos afim. De nada valem os pensos, as mezinhas, as tentativas infundadas de esquecer a sua presença. Tentamos esquecer a dor, mascará-la numa outra coisa, sempre que, por azar, volta sangrar.
Melhora, ás vezes parece até que vai curar, mas é uma eterna ilusão de vitória.
Não podemos ganhar sempre, não podemos sangrar sempre, com risco de ficarmos fracos, sugados para sempre pela eterna hemorragia de dores  de que ninguém sabe a verdadeira causa.
Tento eternamente curar-te...lembrando-te que a ferida faz parte de ti e que tens forçosamente que aprender a viver com ela, dê por onde der. Um dia, talvez, o seu tamanho simplesmente diminua e aí sim nenhuma dor de qualquer origem poderá de facto vencer-te...

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Frágil Rosa do Japão




Já foi uma das minhas músicas favoritas. No tempo em que o único desejo que pedia às estrelas era ser feliz...
Muito simples. Tudo o resto será excesso...
perdi palavras, demasiadas, pelo caminho. Perdi vontades. Ganhei uma eu, desconhecida, cinzenta, que não conheço e com a qual não sei lidar.
Porra, tanta coisa nova ao mesmo tempo, eu que nunca gostei de demasiadas novidades ao mesmo tempo. Lenta,demasiado lenta em estruturar toda a informação. Tanta coisa que não conheço, com a qual não sei lidar, no fundo só me apetece fugir, deixe-me só fugir e esconder-me a observar como se fosse um bichinho assustado, deixem-me...sinto-me mais segura assim...
Quase como se tivesse nascido de novo, de um parto dificil, sou ainda demasiado nova para conseguir sequer gatinhar, quanto mais andar... O mundo é para mim um lugar desconhecido, novo, e o meu olhar deslumbra-se com tudo, como se tudo fosse uma nova oportunidade de aprendizagem, pessoal e social, muitos anos depois da hora certa.
Por enquanto preciso amar-me como uma frágil rosa do Japão precisa de muito cuidado...

sábado, 28 de agosto de 2010

Agradecimento



Cheguei a agradecer? não sei se alguma vez por simples palavras conseguirei agradecer-te pelo que  me fizeste. É certo que o mundo é demasiado redondo, dá demasiadas voltas sobre si mesmo e em volta do sol... demasiadas para se poderem contar ou até tentar tomar consciência disso.

Detesto culpas. A culpa não sendo explicita é apenas um espinho para cravar quase sempre no coração dos inocentes. Ninguém poderia imaginar que seria uma viagem para dentro da minha própria lixeira e que no fim ficaria a perder. Ninguém poderia imaginar que o deserto seria tão comprido e que seria eu o camelo destinado a atravessá-lo, carregada e sem água.

O dia sucedeu à noite e nova noite precederá ao dia e o mesmo cansaço demasiado grande para conseguir contabilizar, mantém-se apoderado do meu corpo que ficou frágil sem que eu o supusesse. As palavras saem em esforço quase que obrigadas a interagir com o que o rodeia e este mar que há em mim, turbolento maçador, revolveu as areias do pensamento e tomou conta da terra...