Sobra...
Sobra sempre alguma coisa.
Sobro eu...
Sobra o que resta do que não se consumiu.
Sobra o orvalho da manhã nos meus olhos, quando o frio da noite vai embora. Sobram os restos da noite quando o lençol em desalinho demonstra a ausência do sono.
Sobram as formas da escuridão quando em pleno dia se faz sombra.
Sobramos nós, sempre que mais nada há a dizer.
Sobra a vida...
Essa a que nada podemos impor a não ser vontade. Sobram as escalas que o homem inventou para te poder medir, nos poder medir. O tempo, a ampulheta que te oculta em contra-relógio o quanto sobra...
Sobram os medos de não chegar, de não fazer, de não ser capaz ( e o orvalho que não seca, o sol que não vem, as sombras que não chegam no pino do calor).
Sobra a compreensão que para tudo há o seu jeito, o seu tempo ( o tal, que aprisionámos ! - quem eu? porque me chamas homem se nunca o fui e abomino o tempo,malvado - em ampulhetas e monitores e ponteiros que só apontam um eterno rodar, um eterno a circular )
Sobra tudo o que ficou por fazer, o que ficou por dizer, como sobra o orvalho que pouco a pouco, com o calor do dia que volta, se evapora para voltar mais tarde.
Não sobrou nada. Talvez um punhado de terra a mais onde as sombras virão descansar do calor, ou onde alguma ave se aproveite do que sobrou da semente. De novo há-de sobrar... dias, horas, palavras para se dizerem.
Dir-me-ás que não sobra nada? Ou resta ainda um pouco de orvalho na madrugada, que humidifique o que insistimos em querer secar? É do tempo que não nos sobra... ( o amor que fica, a vida que passa. E de nós? Se nos escondemos, se nos prendemos ao circulo do tempo, não sobra nada ) .
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segunda-feira, 20 de junho de 2011
domingo, 19 de junho de 2011
Lembro a agua que escorria da fonte, acompanhada do barulho tempestuoso que da minha compreensão de menino fazia cinzentas as ideias imaginadas e o dia mudo .
Os silêncios que guardo das incompreensões, das perguntas nunca feitas das palavras nunca ditas são como cascatas de letras desconjuntadas em palavras sem sentido que se acumulam nas lembranças e a que falta sempre uma peça que ninguém se lembra onde pôs.
- Páras sempre que por aqui passas...
É porque me lembro dela, dos seus silêncios, de como olhava sempre embevecida , a fonte, como se menina fosse também, como se as minhas dúvidas fossem as suas. E os silêncios...esses silêncios que se escondiam entre as pausas das demasiadas palavras , que de tantas, tão juntas, para se aquecerem, para nos aquecerem , nada diziam, Perdiam-se na multidão de letras e sentidos e esvaziavam-te de culpas, ou solidões ou o que foi que nunca soube. Perguntas sem resposta...
-Nunca me disseste realmente, porque paras sempre a olhar a fonte quando aqui passas?
Perguntas sem resposta... não olho a fonte , olho-a a ela, tentando por uma ultima vez compreender os segredos que se escondiam, por entre as palavras que dizia incoerentes com o que os silêncios escondiam.
Olho a fonte, como se a olhasse a ela. Como se a pergunta, de onde vem tanta água ? A água é sempre a mesma filho , fosse a resposta a todos os enigmas, encriptando em si o segredo das nossas vidas.
Que água continhas tu mãe? Que eras sempre a mesma , que de mim sabias os segredos que não dizia e de ti não soube nada. Tal como a água, que jorrava da fonte em aspecto tempestuoso, e era sempre a mesma , também tu, parada a olha-la ( a água? a vida? ) parecias conter em ti tempestades... perguntas sem resposta...
- Deixa lá a fonte! Ainda perdemos o autocarro.
Perdi... perdi-te... nos olhos recordo as águas contidas, o beijo na testa
- Vá! À tua vida, que eu cá me arranjo. Um aceno apenas, e um mundo de silêncios entre as comuns palavras de despedida. Metade de um país de distância e sei-te um mundo de solidão sem uma unica palavra.
Quem foste tu afinal? Quem serei eu se não te souber a ti que me sabes de cor.
De que servem as palavras, quando nos däo tudo o que somos mas no fim não dizem nada ? E tu mãe, de que fonte bebias tu, mulher que foste...
Um ultimo olhar à agua que escorre enquanto o autocarro arranca. Toca o telemóvel.
- Olá mãe, como foram os teus dias?
Os silêncios que guardo das incompreensões, das perguntas nunca feitas das palavras nunca ditas são como cascatas de letras desconjuntadas em palavras sem sentido que se acumulam nas lembranças e a que falta sempre uma peça que ninguém se lembra onde pôs.
- Páras sempre que por aqui passas...
É porque me lembro dela, dos seus silêncios, de como olhava sempre embevecida , a fonte, como se menina fosse também, como se as minhas dúvidas fossem as suas. E os silêncios...esses silêncios que se escondiam entre as pausas das demasiadas palavras , que de tantas, tão juntas, para se aquecerem, para nos aquecerem , nada diziam, Perdiam-se na multidão de letras e sentidos e esvaziavam-te de culpas, ou solidões ou o que foi que nunca soube. Perguntas sem resposta...
-Nunca me disseste realmente, porque paras sempre a olhar a fonte quando aqui passas?
Perguntas sem resposta... não olho a fonte , olho-a a ela, tentando por uma ultima vez compreender os segredos que se escondiam, por entre as palavras que dizia incoerentes com o que os silêncios escondiam.
Olho a fonte, como se a olhasse a ela. Como se a pergunta, de onde vem tanta água ? A água é sempre a mesma filho , fosse a resposta a todos os enigmas, encriptando em si o segredo das nossas vidas.
Que água continhas tu mãe? Que eras sempre a mesma , que de mim sabias os segredos que não dizia e de ti não soube nada. Tal como a água, que jorrava da fonte em aspecto tempestuoso, e era sempre a mesma , também tu, parada a olha-la ( a água? a vida? ) parecias conter em ti tempestades... perguntas sem resposta...
- Deixa lá a fonte! Ainda perdemos o autocarro.
Perdi... perdi-te... nos olhos recordo as águas contidas, o beijo na testa
- Vá! À tua vida, que eu cá me arranjo. Um aceno apenas, e um mundo de silêncios entre as comuns palavras de despedida. Metade de um país de distância e sei-te um mundo de solidão sem uma unica palavra.
Quem foste tu afinal? Quem serei eu se não te souber a ti que me sabes de cor.
De que servem as palavras, quando nos däo tudo o que somos mas no fim não dizem nada ? E tu mãe, de que fonte bebias tu, mulher que foste...
Um ultimo olhar à agua que escorre enquanto o autocarro arranca. Toca o telemóvel.
- Olá mãe, como foram os teus dias?
Nada.
Abriu-se um fosso...
Choveu. O espaço inundou-se de uma água lamacenta, escura, onde nem as imagens que se reflectiam conseguiam brilhar.
Nasceram peixes ( de onde vieram os peixes se nada nasce do nada e para tudo há um pouco de dois, mesmo que seja do mesmo, mas de género diferente?) . Morreram os peixes, asfixiados pela água parda, escura, onde nada se reflectia e que ninguém sabia como oxigenar.
Secou a água. Ficou o mesmo buraco negro, sem função.
Nada que nasce do acaso tem vida longa. Onde nada se reflete nada estará. O oxigénio que alimenta a vida, faz colorir o que dele se alimenta.
O nada jamais se multiplicará...
Choveu. O espaço inundou-se de uma água lamacenta, escura, onde nem as imagens que se reflectiam conseguiam brilhar.
Nasceram peixes ( de onde vieram os peixes se nada nasce do nada e para tudo há um pouco de dois, mesmo que seja do mesmo, mas de género diferente?) . Morreram os peixes, asfixiados pela água parda, escura, onde nada se reflectia e que ninguém sabia como oxigenar.
Secou a água. Ficou o mesmo buraco negro, sem função.
Nada que nasce do acaso tem vida longa. Onde nada se reflete nada estará. O oxigénio que alimenta a vida, faz colorir o que dele se alimenta.
O nada jamais se multiplicará...
sábado, 29 de janeiro de 2011
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