segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Era uma vez: um ano outra vez
Era uma vez...
um caderno: escrito a linhas de sangue, lágrimas e suor. Escrito em letras de luz de uma lua sempre poente, nunca nascente: nova mas cheia de escuridão...
Era uma vez...
quem não o lia, não o via e jamais ouviu uma palavra do que lá foi escrito.
Era uma vez...
um era uma vez, que se foi de vez e retornou num livro de histórias pintadas a mar e chuva e tempestades;
era um diário, um livro, um pedaço e coisas velhas
Era uma vez um calendário, que se foi rasgando; e tornando as folhas novas em velhas, as folhas velhas foram ficando novas
Era uma vez um ano, e outro e outro ainda
Foi uma vez uma menina, que se fez bruxa e uma bruxa que se fez princesa, e uma princesa que se fez mulher
Um conto; de contar coisas, coisas que se descontam por cada vez que era uma vez...
domingo, 2 de janeiro de 2011
Quem és tu?
À entrada da porta, de novo esperas a chegada do que há de vir.
De novo por aqui?
Roupas diferentes escondem um mesmo interior agora aprumado, arestas limadas de um alguém que já foi e deixou de ser e de novo é.
Assim se acha o que se perdeu - se transforma o que já era em reciclagem - de um ser que antes de perdido se achou; nas franjas da procura, nem sabia de quê.
De quê?
Da simplicidade de se saber o que se é; da simplicidade de se gostar do que gosta; de esperar apenas aquilo que as próprias mãos nos dão.
De amar mais e mais: primeiro em mim, depois num tu e finalmente num nós que em conjunto, serão uns que se inventam
Que sou eu para o negar: mas sou para guardar ( guardo segredos de transformação humana, de gente que entra e sai, de vidas e vidas; guardarei para sempre, mesmo que um sempre não nos encontre num mesmo caminho)
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Move-te
E um dia acordas e vês tudo aquilo que perdeste, enquanto olhavas para o horizonte. À tua volta tudo se mexeu e tu, quieta, solitária como uma estátua ou um mimo humano onde só o sangue se move, perdeste algo insubstituível - o tempo em que podias ter transformado em sorrisos os desfiados momentos do relógio.
Move-te, mexe-te, ninguém espera por ti se não correres atrás do vento que trás noticias daquilo que queres ouvir.
O coração, imperador do teu amor, bombeia incessantemente o liquido vital que te permite respirar. Imita-o, move-te, não percas o que depois de perdido, dificilmente se voltará a encontrar - a esperança... algures alguém espera por ti...move-te.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
A música, o puzzle e as gargalhadas
O que me faz rir ?
O medo que ainda pressinto em ti, quando não sabes o que poderei fazer a seguir.
Gargalhadas ( suspiro )
A bem dizer, ainda me surpreendo, que te surpreendas.
Imagina um enorme puzzle, com demasiadas peças, para qualquer ser humano minimamente normal .
Agora imagina que metade delas não encaixam em lado nenhum ( agora imagino eu, aposto que já sentes vontade de dar um pontapé no maldito puzzle. Eu já )
E pronto cá estamos! Dá-me música que eu gosto.
Quando ao resto não sei muito bem como desembrulhar o presente, e o que fazer ao puzzle...
Mas dá-me música que eu gosto.
sábado, 25 de dezembro de 2010
A cair...
rasgas a roupa ao cair, partes as cristalinas partes que te compõe...
compões um Frankenstein e segues em frente
morta, zombie, retalhada em pedaços de morte ainda em carne viva
confusões, ilusões, empurrões
e eu...
sempre eu, a cair
partida em mil pedaços de um cristal
solidão, retalhos de um todo que nunca foi nada, caídos, partidos em mil pedaços que a luz desfragmenta (ou desfragmentam a luz ),
não sobra nada a não ser cor - ondas em frequências descoordenadas -, cor de mar, cor de mágoa e as ondas que me afogam em gritos de solidão
sem medo, sem dor, sem nada
gritos no escuro
onde outros sentam no trono que foi meu
o lugar vazio
em queda,
gritos na solidão
confusos destinos os que entram em solitários desconhecidos...
não subas! a escada não é tua
não me toques, o abraço não é teu
profetas de morte, mensageiros do inferno
no Hades, ardem os mistérios de outras eras
longe...longe...gritos na solidão!!
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Talvez escrever seja uma forma subtil de querer viver para sempre...
Talvez no começo, apenas desejasse segredar a mim própria o que não diria a mais ninguém; jamais.
Talvez, nos entremeios dos julgamentos - sem juiz, sem lei, sem rei nem roque - me tenha apercebido que a vida não se faz de amanhãs que não existem e nunca chegarão - um amanhã será para sempre um amanhã, nunca será um hoje.
Um hoje poderá não ser o tão especial dia em que tudo será diferente; mas é um hoje e é de hojes que se constroem vidas.
Nada está perdido enquanto a capacidade de amar estiver presente, e essa nasce connosco. Por mais enxuvalhada, enlameada, pontapeada que for, nunca será banida do local onde a plantaram, onde nasceu : no coração dos simples.
Força e coragem andam de mãos dadas nas passadeiras e nas bermas da vida; uma vez puxa uma, outra vez outra, ambas levar-nos-ão pelos caminhos da eternidade, enquanto alguém se lembrar do BEM que fizemos.
Por falar em eternidades, dizem que é Natal
Sabiam?
Desejem uns aos outros amor e felicidade: abracem-se, deixem-nos saber que é Natal
Perdoem-se: de mal passado não se faz um presente - sem presentes não há futuros
Para todos um abraço que abarca o mundo
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Uma de muitas, nenhuma inteira, nenhuma completa; fantasmas de outras eras, embrulhados como folhas de papel velho, usado. Nessas folhas repousam histórias que já ninguém quer ler...
O que será ninguém sabe, ninguém poderá saber. Se me levanto, inteira? não sei, talvez levante velhas pontas, velhas pontes.
O que fica, alguém poderá um dia dizer: foi? não, não foi. Ficam apenas os fantasmas da dor.
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