Elas sempre estiveram ali. As montanhas. Conheço os seus recortes de cor, como geografias da minha própria vontade, as alturas dos meus desafios, depressões e saliências prontas a serem escaladas para descobrir, encontrar.
O que poderá surgir do lado de lá?
Naquelas montanhas o sol se põe. Cada vez que nelas repouso o olhar, a mesma dúvida, a mesma questão.
O que se encontrará do lado de lá da solidez que me separa do horizonte?
Quantas vezes nos diluímos nas dúvidas, deixando ao sol a tarefa de iluminar, só ele, aquilo que queremos também ver...
E deixamos que o sol nos sobreponha, as aves do céu nos gritem o que não conseguimos decifrar, mas também queremos conseguir...
Um dia e outro e no horizonte a montanha que conhecemos de cor e a vontade, essa mortificante vontade de atravessar.
E um dia, do nada que somos, a vontade sussurra ao ouvido a palavra passe. Passa, passa... de ferro, gigante, transformas a montanha em nada mais que uma linha, a um passo do teu alcance, e aumentas numa infinidade de novas paisagens o tamanho do que verás no seguir...
Nenhuma montanha é tão alta que não a possas escalar, nenhum horizonte é tão longe que não possas lá chegar...
sábado, 9 de julho de 2011
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Entre paragens, partida e sem fronteiras
http://www.youtube.com/watch?v=4pXrlXmnd1M&feature=youtube_gdata_player
Desculpas. Perdões e tanta palavra que tenta explicar o que não tem explicação razoável.
Orgulho. Defeito? Ou amor próprio? Aos olhos de quem é o nosso orgulho é ferido ou fere o próximo. Quem define as fronteiras?
Fronteiras. Portas abertas ou linhas invísiveis intransponíveis, que separam o ser do parecer.
Voar. Com que asas te elevas a cima de ti, com as tuas ou com as que te põe, enormes para o teu corpo e desconfortáveis.
Desconhido. Aquilo que não nos faz sentido por mais que se tente render a imaginação.
Desculpa, o orgulho limita-me as fronteiras e não me permite voar no desconhecido.
Os anjos têm asas. Não sou anjo, sou mulher. Só consigo usar o que tenho como meu. Viajo, com a bagagem minima de quem deixou tudo para trás. Deixo as desculpas para quem se orgulha de ter transposto todas as fronteiras e voado para lá do desconhecido onde não quero chegar.
Partir. Dividir, ir embora. Sem dicionário é apenas o que me faz lembrar... partida, estou de partida.
Desculpas. Perdões e tanta palavra que tenta explicar o que não tem explicação razoável.
Orgulho. Defeito? Ou amor próprio? Aos olhos de quem é o nosso orgulho é ferido ou fere o próximo. Quem define as fronteiras?
Fronteiras. Portas abertas ou linhas invísiveis intransponíveis, que separam o ser do parecer.
Voar. Com que asas te elevas a cima de ti, com as tuas ou com as que te põe, enormes para o teu corpo e desconfortáveis.
Desconhido. Aquilo que não nos faz sentido por mais que se tente render a imaginação.
Desculpa, o orgulho limita-me as fronteiras e não me permite voar no desconhecido.
Os anjos têm asas. Não sou anjo, sou mulher. Só consigo usar o que tenho como meu. Viajo, com a bagagem minima de quem deixou tudo para trás. Deixo as desculpas para quem se orgulha de ter transposto todas as fronteiras e voado para lá do desconhecido onde não quero chegar.
Partir. Dividir, ir embora. Sem dicionário é apenas o que me faz lembrar... partida, estou de partida.
terça-feira, 5 de julho de 2011
Amar, amar...
http://www.youtube.com/watch?v=wjSOqJ9zBhY&feature=youtube_gdata_player
Quem foi que transformou a chuva numa cascata pura e cristalina?
Quem foi que roubou a água dos meus olhos, para com ela me lavar o corpo e a alma? Quem transformou as humidades de um bolor que me consumia, em gotas de orvalho fresco e cintilante ?
Que incansáveis pequenas aranhas ( nós e só nós tecendo nós) tecem a sua perfeita teia, orgulhosas da sua criação?
Quem tomou o meu corpo e o renovou num ritual de purificação transformando as lágrimas em suaves sons duma canção?
Quem libertou as tempestades, domou com ciência as vontades, pintando de novas cores as vaidades?
Quem me sussurrou ao ouvido as palavras que hoje digo?
Esta natureza enfeitiçada, quase por ninguém domada, tantas vezes desmaiada, em tons velhos, desbotados...
Tomaste o meu cálice, bebeste do meu seio sentido. Sangraste tuas dores comigo.
Voltaste na madrugada, com as mãos cheias de nada e preencheste o vazio.
Ouves a água que corre? a paz que por aqui se ouve?
Foste a estrela da manhã. Foi a noite que passou e o teu corpo que me encontrou. Nesta teia de palavras, devolvo-me em pequenos nadas ao tudo que contigo sou.
Agua, fogo, terra, ar... tudo no nosso olhar... e esta água que corre, onde nos vamos banhar...
Amar. Vem junto ao meu ouvido, sussura feitiços comigo... na madrugada, somos a força indomada, correndo por nós, em cascata. Amar...amar...
Quem foi que transformou a chuva numa cascata pura e cristalina?
Quem foi que roubou a água dos meus olhos, para com ela me lavar o corpo e a alma? Quem transformou as humidades de um bolor que me consumia, em gotas de orvalho fresco e cintilante ?
Que incansáveis pequenas aranhas ( nós e só nós tecendo nós) tecem a sua perfeita teia, orgulhosas da sua criação?
Quem tomou o meu corpo e o renovou num ritual de purificação transformando as lágrimas em suaves sons duma canção?
Quem libertou as tempestades, domou com ciência as vontades, pintando de novas cores as vaidades?
Quem me sussurrou ao ouvido as palavras que hoje digo?
Esta natureza enfeitiçada, quase por ninguém domada, tantas vezes desmaiada, em tons velhos, desbotados...
Tomaste o meu cálice, bebeste do meu seio sentido. Sangraste tuas dores comigo.
Voltaste na madrugada, com as mãos cheias de nada e preencheste o vazio.
Ouves a água que corre? a paz que por aqui se ouve?
Foste a estrela da manhã. Foi a noite que passou e o teu corpo que me encontrou. Nesta teia de palavras, devolvo-me em pequenos nadas ao tudo que contigo sou.
Agua, fogo, terra, ar... tudo no nosso olhar... e esta água que corre, onde nos vamos banhar...
Amar. Vem junto ao meu ouvido, sussura feitiços comigo... na madrugada, somos a força indomada, correndo por nós, em cascata. Amar...amar...
segunda-feira, 4 de julho de 2011
A nossa lua, meu amor...
http://www.youtube.com/watch?v=IDc7x9iMoac&feature=youtube_gdata_player
-Lua que vais tão alta...
-Tão alta como?
-Tão alta meu amor, que um dia, se desejares com muita, muita força, serás tão grande que a poderás tocar.
Tocar como se fosse música?
Tocar como se fosse o que tu quiseres...
Eu quero ser malabarista ou então trapezista. Poder voar lá no alto, num baloiço enorme que me embale para sempre. Achas que assim posso tocar na lua?
-Se o baloiço for muito, muito alto, se tu quiseres muito, muito e se não tiveres medo de cair, tu podes tudo meu amor.
Tu podes tudo meu amor! O amor, a vontade, a força de ter sempre alguém com uma palavra doce de encorajamento.
Sinto falta das tuas palavras doces, quando no meu trapézio encostada à lua que sonhámos para mim, te recordo com carinho. Tornaram-se mais negros os teus olhos, mais branca a tua pele, mais dura a tua voz. Deste-me o sonho, a capacidade de lá chegar... deste-me o livro virgem onde fui escrevendo a minha vida ao som das palavras doces com que me sorrias. Cantaste-me as mais belas canções de embalar vontades, mas com elas te deixaste adormecer...
Tenho saudades de ti, desse teu eu perdido. Queria que me visses sozinha no meu trapézio, embalando os meus sonhos e tocando a lua, a nossa lua...
-Lua que vais tão alta...
-Tão alta como?
-Tão alta meu amor, que um dia, se desejares com muita, muita força, serás tão grande que a poderás tocar.
Tocar como se fosse música?
Tocar como se fosse o que tu quiseres...
Eu quero ser malabarista ou então trapezista. Poder voar lá no alto, num baloiço enorme que me embale para sempre. Achas que assim posso tocar na lua?
-Se o baloiço for muito, muito alto, se tu quiseres muito, muito e se não tiveres medo de cair, tu podes tudo meu amor.
Tu podes tudo meu amor! O amor, a vontade, a força de ter sempre alguém com uma palavra doce de encorajamento.
Sinto falta das tuas palavras doces, quando no meu trapézio encostada à lua que sonhámos para mim, te recordo com carinho. Tornaram-se mais negros os teus olhos, mais branca a tua pele, mais dura a tua voz. Deste-me o sonho, a capacidade de lá chegar... deste-me o livro virgem onde fui escrevendo a minha vida ao som das palavras doces com que me sorrias. Cantaste-me as mais belas canções de embalar vontades, mas com elas te deixaste adormecer...
Tenho saudades de ti, desse teu eu perdido. Queria que me visses sozinha no meu trapézio, embalando os meus sonhos e tocando a lua, a nossa lua...
sábado, 2 de julho de 2011
O lugar de um livro
http://www.youtube.com/watch?v=dxlxqiRmNqM&feature=youtube_gdata_player
Gostava de gostar de televisão. Faz companhia vivermos através dos olhos vidas que inventam para vivermos. A caixa está fechada, parada e o que de lá se solta não preenche os vazios da casa onde aqui e ali os móveis vão ganhando espaço como frondosas árvores num descampado.
Percorro as estantes, deixo os dedos tocarem um a um as lombadas dos livros. Títulos e títulos de histórias passadas, sentidas e vividas em algum periodo. Todos os livros têm o seu tempo certo. Não somos nós que os escolhemos, são eles que nos escolhem a nós, como misteriosos mensageiros de algo que precisávamos saber ou entender num determinado momento da vida.
Todos têm o seu lugar e ficam depois guardados em condensadas memórias do essencial ou em condensadas estantes. Passo os dedos...nenhum novo, todos os títulos já tiveram o seu momento de glória na minha vida.
Há tanto tempo que não encontro um novo livro. Um livro é como uma paixão tem que ter o seu momento e ser vivido intensamente, temos que lhe dedicar tempo e compreensão.
As estantes estão cheias, de livros que já fizeram parte do meu tempo, dos meus sonhos. Há tanto tempo que não leio nenhum...na biblioteca repousam outras estantes, de livros que me sussurram:
- leva-me, vais gostar de me ler. E eu trago e leio, mas não são os meus livros, não vão ter um orgulhoso lugar, só seu na minha estante.
O tempo voa, lêm-se a correr os livros, agora. Não deixam os sentidos voar com as letras nas asas da imaginação. Não se constroem cenários nas nuvens, não se sente o gosto pelo sabor da história. Tudo a correr... e passo a mão pelo ultimo... ou foi o tempo que alterou o ritmo ou o ritmo que alterou o tempo e a quietude da casa faz-me lembrar que as memórias mesmo contidas em livro sempre se poderão apagar se as estantes onde repousarem se tornarem demasiado longíquas para lhes poder passar, de vez em quando, com os dedos na lombada.
Gostava de gostar de televisão. Faz companhia vivermos através dos olhos vidas que inventam para vivermos. A caixa está fechada, parada e o que de lá se solta não preenche os vazios da casa onde aqui e ali os móveis vão ganhando espaço como frondosas árvores num descampado.
Percorro as estantes, deixo os dedos tocarem um a um as lombadas dos livros. Títulos e títulos de histórias passadas, sentidas e vividas em algum periodo. Todos os livros têm o seu tempo certo. Não somos nós que os escolhemos, são eles que nos escolhem a nós, como misteriosos mensageiros de algo que precisávamos saber ou entender num determinado momento da vida.
Todos têm o seu lugar e ficam depois guardados em condensadas memórias do essencial ou em condensadas estantes. Passo os dedos...nenhum novo, todos os títulos já tiveram o seu momento de glória na minha vida.
Há tanto tempo que não encontro um novo livro. Um livro é como uma paixão tem que ter o seu momento e ser vivido intensamente, temos que lhe dedicar tempo e compreensão.
As estantes estão cheias, de livros que já fizeram parte do meu tempo, dos meus sonhos. Há tanto tempo que não leio nenhum...na biblioteca repousam outras estantes, de livros que me sussurram:
- leva-me, vais gostar de me ler. E eu trago e leio, mas não são os meus livros, não vão ter um orgulhoso lugar, só seu na minha estante.
O tempo voa, lêm-se a correr os livros, agora. Não deixam os sentidos voar com as letras nas asas da imaginação. Não se constroem cenários nas nuvens, não se sente o gosto pelo sabor da história. Tudo a correr... e passo a mão pelo ultimo... ou foi o tempo que alterou o ritmo ou o ritmo que alterou o tempo e a quietude da casa faz-me lembrar que as memórias mesmo contidas em livro sempre se poderão apagar se as estantes onde repousarem se tornarem demasiado longíquas para lhes poder passar, de vez em quando, com os dedos na lombada.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Inspirei-me
Inspirei-me...
De onde vim?
Pergunto-me muitas vezes qual foi a massa genética que me moldou.
Percorri caminhos nunca trilhados, sonhei sonhos nunca antes sonhados.
Num rasto de nuvens vi paisagens...tempestades e bonanças.
Dormi ao relento ao luar.
Bebi as águas das fontes que nunca ninguém achou, que jamais serão encontradas.
De onde vim?
Caminhei por entre os trilhos dos sonhos, vendei os olhos para poder sentir, deixei que a música me guiasse o coração...
Foram desertos de paixão, oceanos de solidão, foram chuvas de suores de prazer e um sol quente que secou vontades...
De onde vim?
Um dia tocou um sino. Eram badaladas. Meia-noite, seria?
Eram os olhos de menina que no ar que respirou, sentiu inundar-lhe a felicidade de um mundo que só ela conhecia.
Seria meia-noite? Ou seriam as outras metades do dia? E depois que mais viria?
Embarcar no sonho
Embarquei. O céu era o limite.
-Já viste um barco voar ?
- já viste um sonho acabar?
Os sonhos não acabam...nunca acabam, transformam-se tal como o que vive e não vive, o que está, ou apenas se sente na natureza. O sonho tem a capacidade de se transformar no mais encantador ou absurdo factor de esperança. Através dos sonhos tu arrumas gavetas desarrumadas ou simplesmente as desarrumas ( pensando tu que estavam bem como estavam) só para a tua mente te dar a possibilidade de novas perspectivas.
-E os pesadelos? Os pesadelos também são sonhos...
Os pesadelos são medos que montam os cavalos da imaginação e correm livres pelos montes e vales do pensamento.
- É por isso que gostas de embarcar em sonhos?
- Não necessáriamente. Por vezes é bom soltarmos os medos. Como tudo o que está preso demasiado tempo, também os medos quando soltos não sabem como se comportar. Deves incentivá-los a vir cá fora espreitar. Senti-los , sonhá-los, vivê-los. Só assim os podes conhecer. Conhecendo-os deixam de ser pesadelos e passam a ser apenas o que são, dúvidas, por vezes difíceis de explicar, é certo, mas apenas dúvidas.
-Assim o sonho nunca acaba...
-Como te disse, nunca acaba, apenas se transforma, e se soubermos dirigir o rumo da nossa embarcação de sonho ela dirige-se, contornando as dúvidas, exactamente para o nosso lugar...
-Já viste um barco voar ?
- já viste um sonho acabar?
Os sonhos não acabam...nunca acabam, transformam-se tal como o que vive e não vive, o que está, ou apenas se sente na natureza. O sonho tem a capacidade de se transformar no mais encantador ou absurdo factor de esperança. Através dos sonhos tu arrumas gavetas desarrumadas ou simplesmente as desarrumas ( pensando tu que estavam bem como estavam) só para a tua mente te dar a possibilidade de novas perspectivas.
-E os pesadelos? Os pesadelos também são sonhos...
Os pesadelos são medos que montam os cavalos da imaginação e correm livres pelos montes e vales do pensamento.
- É por isso que gostas de embarcar em sonhos?
- Não necessáriamente. Por vezes é bom soltarmos os medos. Como tudo o que está preso demasiado tempo, também os medos quando soltos não sabem como se comportar. Deves incentivá-los a vir cá fora espreitar. Senti-los , sonhá-los, vivê-los. Só assim os podes conhecer. Conhecendo-os deixam de ser pesadelos e passam a ser apenas o que são, dúvidas, por vezes difíceis de explicar, é certo, mas apenas dúvidas.
-Assim o sonho nunca acaba...
-Como te disse, nunca acaba, apenas se transforma, e se soubermos dirigir o rumo da nossa embarcação de sonho ela dirige-se, contornando as dúvidas, exactamente para o nosso lugar...
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