domingo, 6 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
O palco do tempo
Foi neste espaço que encontrei esta música maravilhosa que não conhecia
O palco do tempo. Desfilam com as suas roupas - plumas já gastas, misturadas com maquilhagens mortiças, consumidas pelas horas passadas à luz - tentando em vão captar a atenção de um público, que em júbilo, nada assiste ao que se passa.
O público entra no palco e ensaia a sua própria peça, sem roupa: que a roupa insiste em marcas que não existem, que não definem, que não têm valor.
Cá em baixo assistem ao trocar dos papéis, impotentes, perdidas nas suas falas ensaiadas, insistindo em prender na mão um tempo que se esgotou noutras falas.
É delas a liberdade de se livrarem das personagens que não incorporam, vestindo outras roupas, outras falas, outros papéis. O público já não é público, são elas, jogando o tempo fora -que assim se prende a elas- tornando-se seu, e em dois se formam um: tempo e mente, em mente de viver o tempo.
É o palco do tempo
Sem tempo a mais
São voltas ás voltas
Por querer sempre mais
É um verso atrás
Um degrau que não viu
São curvas as rectas
Num final não vazio
É o palco do tempo
Sobre o tempo a mais
São voltas à espera
Que não vivendo mais
O palco do tempo. Desfilam com as suas roupas - plumas já gastas, misturadas com maquilhagens mortiças, consumidas pelas horas passadas à luz - tentando em vão captar a atenção de um público, que em júbilo, nada assiste ao que se passa.
O público entra no palco e ensaia a sua própria peça, sem roupa: que a roupa insiste em marcas que não existem, que não definem, que não têm valor.
Cá em baixo assistem ao trocar dos papéis, impotentes, perdidas nas suas falas ensaiadas, insistindo em prender na mão um tempo que se esgotou noutras falas.
É delas a liberdade de se livrarem das personagens que não incorporam, vestindo outras roupas, outras falas, outros papéis. O público já não é público, são elas, jogando o tempo fora -que assim se prende a elas- tornando-se seu, e em dois se formam um: tempo e mente, em mente de viver o tempo.
É o palco do tempo
Sem tempo a mais
São voltas ás voltas
Por querer sempre mais
É um verso atrás
Um degrau que não viu
São curvas as rectas
Num final não vazio
É o palco do tempo
Sobre o tempo a mais
São voltas à espera
Que não vivendo mais
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Aprender a voar
Há sempre tanto que aprender: em outras alturas - por outros caminhos - estaria agora perdida, sem saber como voar.
Ainda há tanto que não sei dizer, a quem me procura encontrar
O novo paralisante desconhecido: parada ( não fiques parada, não percas esta parada) continuo, mesmo que não saiba como; aprendo.
Tudo se aprende: a falar, a escrever, a estar, a ser .
E tu ?
Eu?
Eu quero aprender a voar; quero aprender a amar...
domingo, 30 de janeiro de 2011
Classificados
Só o estar: um inicio, um principio ou um começo nascem da vontade incontrolável de romper entranhas - rasgar uma pele já gasta de propósitos sem propósito.
Descobrir: A maravilhosa luz que se interpõe entres as sombras - mostrando a realidade que se sobrepõe ao sonho, reconhecendo-lhe as cores -, fruto de um colher de saberes entrelaçados na naturalidade da árvore mãe, que espalha os seus ramos tocando o céu e o chão nesta enorme construção que é a vida.
Esquecer: Por vezes esquecemos as coisas importantes que são ditas buscando passados em que os mortos morreram e os vivos renasceram para a vida.
Reconhecer: O amor à beleza ultrapassa corpos, almas, gostos, propósitos; inventar uma nova realidade onde todos os tiros acertam no alvo do vício pelo BEM
Classificar? Há coisas que são, sem classificação...
sábado, 29 de janeiro de 2011
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Coração
...vou já. Subo as escadas a correr. Abro a porta num rompante de quem deseja não ter sequer que a abrir, passo em frente ao espelho e miro-me - só mais uma vez para ter a certeza que continua tudo no sitio certo, tudo no lugar devido - calço os ténis para me sentir confortável; o padrão de xadrez continua a ser o meu favorito mesmo ao fim de tantos anos, será que ainda é o teu?
...vou já. Aproximo-me devagar. A caixa continua lá em cima - distante, quase invisível aos olhares desatentos- subo a cadeira onde a roupa se foi acumulando ao longo dos últimos dias. Intacta, o laço - disparates de menina - mantém firme o seu propósito de contar silenciosamente intentos alheios de desatar segredos.
Desfaz-se um laço, desatam-se amarras de antigos medos. Destapo a caixa devagar, talvez com medo ou receio do que vá encontrar. Lá dentro ele mantém o seu esplendor: a cor rubra - como se o tempo não tivesse galgado os atalhos que a liberdade do caminho lhe dá -, pulso forte - bate como se nada fosse -, vivo intenso, indiferente à caixa que o encerrou na escuridão. Restituo ao peito onde é o seu lugar. A caixa fica vazia, jogada no chão- laço perdido em outros laços achado.
...vou já. É esta ainda a vida do meu coração
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Saudade...
Saudade do toque, do cheiro, da pele, do riso... o amor vive envolto num pano de saudades, que ajudam a colorir a vestimenta que é a nossa. Não vivemos sem roupa; o frio: terrível, invisível inimigo, acaba por nos tolher os movimentos, renegando-nos a uma quietude mortal, mortífera. Não vivemos sem amor: a vida perde a cor, a água nasce dos olhos retirando-lhes o brilho e a esperança fica encerrada, fechada num qualquer lugar escondido.
Sair, abrir os braços, acolher o amor que esteve, está sempre ali para nos acolher, mesmo quando insistimos em não aceitar a diferenças, as nossas, as alheias.
Não chores mais; a saudade aumenta, potencia todas as capacidades. Nascem-me a música e as palavras como magia em frente aos olhos e a magia vem de ti e do tempo que nos falta ainda para chegarmos a um destino - ar...jeitinho...ar...
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